Explosivos e Fogos-de-artifício

Explosivos são definidos como “qualquer material que possa sofrer decomposição rápida e auto propagável, resultando na libertação de calor e na produção de energia”. A sua classificação depende da velocidade de decomposição – podem ser primários, secundários e terciários – e da onda de energia e são agrupados consoante a sua estrutura química. Pólvora e bombas à base de petróleo são classificados como explosivos de baixa ordem enquanto compostos como ciclonite (RDX) e pentaeritritol (PETN) são explosivos de alta intensidade.
Os nitroaromáticos são um exemplo de compostos tóxicos para os nossos animais de companhia que se encontram em diversos explosivos. Dentro desta categoria encontramos o trinitrotolueno (TNT), que é muito utilizado por militares como impulsionador de outros explosivos de maior intensidade. Este composto apresenta grande facilidade de absorção cutânea, no entanto, é raro ocorrer este tipo de intoxicação em cães. Quando acontece, deve ser dado de imediato um banho com detergente líquido, sendo muito importante o uso de luvas. Os cães são mais propensos a este tipo de intoxicação através da ingestão de material explosivo manuseado e armazenado de forma incorreta. Foi realizado um estudo de toxicidade oral em cães de TNT durante seis meses em que os principais efeitos tóxicos detetados foram: anemia hemolítica, metahemoglobinemia, lesão hepática e esplenomegalia. Ainda não existe uma dose letal (DL50) definida. Quando se sabe que houve ingestão de TNT por parte de um cão, no espaço máximo de até quatro horas, devemos provocar a emese. Podemos também recorrer à acetilcisteína para manter/restaurar os níveis de glutationa para prevenir/tratar a metahemoglobinemia.
Relativamente aos fogos-de-artifício, estes são “dispositivos pirotécnicos de baixa intensidade” que podem ser divididos em 2 classes: consumidor e profissional. Estes dispositivos podem ser constituídos por diversos compostos, tais como: combustível, agentes redutores e oxidantes e a cor que transmitem é devida a uma mistura de certos metais. A toxicidade que os fogos-de-artifício podem causar depende dos compostos pelos quais são constituídos.
Caso haja uma ingestão destes dispositivos e o animal se encontre assintomático poderá ser necessária a indução da emese, a não ser que os compostos sejam corrosivos. Nesta última situação também não devemos usar carvão ativado, uma vez que este não se liga a cloratos e, por isso, devemos optar por gastroprotetores e, se necessário, realização de uma esofagostomia ou colocação de um tubo de gastrotomia. Caso ocorra uma queimadura dérmica poderá ser usada sulfadiazina para uso tópico. Quando intoxicados, os animais deverão receber terapêutica intravenosa de fluídos, de forma a manter a produção de urina e a pressão sanguínea e, caso o animal se encontre cianótico, deverá ser-lhe instituído um suporte de oxigénio. Ao longo da terapêutica é importante uma monitorização contínua dos valores renais e hepáticos por vezes até 72h após a ingestão.
O cálcio é um dos “ingredientes” dos fogos-de-artifício uma vez que é o responsável pelas cores laranjas e também por tornar as restantes cores mais intensas. Os sais de cálcio apresentam baixa absorção pelo trato gastrointestinal. No entanto, em casos de intoxicação aguda, há presença de pequenos vómitos e diarreia. Relativamente ao cloreto de cálcio, este é um composto químico corrosivo e, por isso, pode provocar hemorragias gastrointestinais. A diurese de cloreto de cálcio associado com o uso de furosemida irá auxiliar na excreção do cálcio.
