Gato Vence Rato? Nem sempre!

Foi publicado neste mês de Setembro na revista Frontiers in Ecology and Evolution, um estudo inédito com o objetivo de desenvolver a perceção sobre as interações entre gatos selvagens e populações locais de ratos.
Para este estudo, foram aplicados microchips nas populações de roedores e estudados os seus movimentos durante 79 dias. Foram também colocados estes dispositivos em gatos e distribuídas câmaras com sensores de movimento em pontos específicos para o estudo. Foram capturados 306 vídeos de gatos e ratos pré-identificados que partilharam o mesmo espaço.
O estudo permitiu firmar que: (1) os ratos evitam o contacto com os gatos; (2) apenas ocorreram 2 mortes de ratos por ataque de gatos e cerca de 20 perseguições.
A conclusão assumiu então, de modo mais específico, que apesar da prática comum o projetar erradamente, a liberação de populações maiores de gatos nas cidades não está relacionada com o maior desaparecimento das populações de ratos. O que ocorre é que estes últimos detetam a presença dos seus predadores e passam períodos de tempo superiores escondidos, ou seja, alteram o seu comportamento. Esta hipótese é suportada pelos grandes ratos existentes em cidades como Nova Iorque, apesar das grandes libertações de populações de gatos nestes locais – os ratos desaparecem em número, mas aparecem em maior tamanho, devido às suas técnicas de comportamento aprimoradas.
O estudo suporta a preocupação dos ecologistas relativamente à libertação irresponsável de gatos no combate à fauna selvagem nativa, não sendo significativamente eficaz contra os ratos e resultando na perda de aves de alto valor para o ecossistema.
