Cientistas traçam perfil genético dos cães de gado transmontano

A Associação de Criadores de Cães de Gado Transmontano e o ICN propuseram ao Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) a genotipagem dos exemplares de cães desta raça que restam no Parque Natural de Montesinho, num total de 257, sendo 189 descendentes de 68 reprodutores. Foram encontrados nove marcadores, em diferentes cromossomas, que permitem auferir o grau de pureza dos animais e assim averiguar quais os progenitores de determinado animal.
Esta raça autóctone tem vindo a diminuir nos últimos tempos, uma vez que não são apreciados como animais de companhia, sendo a sua função limitada apenas ao pastoreio tradicional. Daqui em diante, as ninhadas serão também acompanhadas, de forma a perceber se estes animais estão efetivamente salvaguardados.
Barbara van Asch, investigadora do Ipatimup, salienta que, além da preservação de uma raça única por si só, estes animais desempenham um papel fundamental no ecossistema do Parque, contribuindo inclusive para a conservação do ameaçado lobo-ibérico. O cão de gado, como protetor dos rebanhos, acaba por afastar os lobos de uma forma menos violenta, impedindo assim mortes por armas de fogo, por exemplo.
