Leptospirose em Cães e Gatos

Leptospirose em Cães e Gatos

 

A leptospirose é uma doença zoonótica com uma grande distribuição geográfica e que afeta, sobretudo, mamíferos e é mais comum em cães do que em gatos.
Esta é uma bactéria do género Leptospira que é gram negativa e que tem a capacidade de sobreviver durante meses na água e em solos húmidos. A contaminação poderá ser direta, quando os animais contactam com a urina infetada através das suas mucosas ou feridas ou por contacto indireto, através de água e solos contaminados. Os roedores são os maiores reservatórios desta doença.
Após a entrada deste patógeno no organismo do hospedeiro, rapidamente se estabelece uma infeção sistémica que vai afetar, em particular, os rins e o fígado, o que pode levar a uma insuficiência renal aguda e a hepatopatias. Os sinais clínicos mais comuns são poliúria/polidipsia, icterícia, febre, taquipneia, hemoptise e epistaxis.
Para o seu diagnóstico podemos recorrer a exames laboratoriais como o hemograma, bioquímicas e urianálise. Ao hemograma, podemos detetar uma leucocitose (fase aguda), leucopénia e neutrofilia. Um valor elevado de ALT, ALP, AST, BUN e CRE são os resultados mais comuns das análises bioquímicas. Por fim, à urianálise podemos detetar isostenúria, glicosúria e proteinuria. Podemos também recorrer à radiografia, onde o achado mais comum será um padrão pulmonar intersticial ou reticulonodular com infiltrados alveolares focais.
O tratamento consiste em antibioterapia (doxiciclina) e num tratamento de suporte para os sistemas afetados. É importante referir que, se o animal apresenta vómito ou outros sinais gastrointestinais, deverá iniciar o tratamento com uma penicilina via intravenosa.
De forma a diminuir a prevalência da leptospirose é muito importante adotar certas medidas de prevenção, tais como a vacinação em animais com maior contacto com águas estagnadas e que possam ter contacto com roedores e tentar diminuir ao máximo os animais a essas exposições.
Em suma, como médicos veterinários devemos conhecer muito bem o ciclo de transmissão desta zoonose e apostar na sua profilaxia de forma a zelarmos pela saúde animal e humana

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