Queres saber as horas? Pergunta ao teu Animal!

Um novo estudo, publicado no anterior mês de Outubro na revista Nature Neuroscience, sugere que os animais têm um senso de tempo relativamente preciso.
Este resultado foi avaliado pela medição da atividade no córtex entorrinal medial do cérebro de ratos, uma região do lobo temporal que codifica informações espaciais relacionadas com memórias (tempo).
Para obtenção dos dados, os animais foram colocados numa experiência de imagem virtual, em que havia estímulos para que estes corressem ao longo de um corredor até encontrar uma porta com recompensa. A abertura dessa porta ocorria após 6 segundos de corrida e, só assim, o animal tinha o prémio alimentar. Após treino neste padrão, os animais passaram para um segundo patamar de avaliação em que o mesmo experimento era feito, porém a porta encontrava-se invisível no final da corrida.
Um ponto comum nos dois experimentos era a presença de uma textura diferente no chão do local da porta com recompensa.
Os pesquisadores verificaram que, quando colocados no segundo patamar de avaliação sem porta, os animais corriam até ao local onde anteriormente existia uma porta e, ao relembrarem a porta pela textura do chão, imobilizavam-se neste território durante … 6 segundos!
O animal, pela conclusão obtida, não tem noção da presença da porta aberta ou fechada e compreende que a única forma de solucionar a tarefa e obter a recompensa alimentar é utilizando o senso de tempo interno do cérebro.
Num terceiro patamar de avaliação, foi ainda aplicada microscopia de dois fótons para monitorização cerebral de cada animal e a codificação espacial e temporal é verificada em diferentes áreas do córtex – as células ‘timing’ só se ativavam quando o animal esperava os seus 6 segundos antes de retornar à corrida.
Este tipo de estudos é muito importante porque permite a obtenção de novas respostas no estudo de doenças neurodegenerativas animais e humanos, como é o caso da doença de Alzheimer.
