Aquecimento global prejudica fertilidade masculina

A revista Nature Communications publicou neste mês de Novembro uma nova descoberta: o aquecimento global apresenta uma relação positiva com a perda de viabilidade do sémen dos insetos.
A função espermática é uma característica especialmente sensível às temperaturas ambientais, pelo que o aquecimento da mesma e sua comparação à escala global pode explicar o porquê da biodiversidade estar a diminuir com o agravamento das ondas de calor – há influências na capacidade de reprodução e perda de viabilidade populacional.
Apesar das boas capacidades de adaptação das plantas e dos animais a mudanças ambientais, o mesmo parece não se aplicar quando nos referimos a mudanças rápidas de temperatura em eventos climáticos extremos.
Para entendimento do impacto do aquecimento na fertilidade, os cientistas organizaram grupos de besouros-farinha-vermelha (Tribolium castaneum) em experimentos de laboratório com temperaturas de 5-7 graus Celsius acima do ideal térmico da espécie. O resultado foi a redução para metade da descendência dos besouros. Foi ainda utilizado um grupo controlo para comparação das condicionantes.
Uma segunda onda de calor foi aplicada num período de 10 dias de intervalo, resultando numa produção de filhotes compatível com aumentos de infertilidade: apenas foi conseguido 1% de fertilidade quando comparado com o grupo controlo.
A influência das ondas de calor foi igualmente verificada nas fêmeas, verificando-se que quando as fêmeas afetadas acasalavam com machos normais (não expostos ao calor), o sucesso reprodutivo era igual.
A soma destes resultados concluiu que os espermatozoides são o fator prejudicado pelo aumento das temperaturas.
Embora os estudos realizados se tenham centrado nos besouros, esta descoberta sugere que o aquecimento global pode prejudicar a fertilidade masculina nos animais de sangue quente, alterando a dinâmica de ecossistemas inteiros.
