Epilepsia idiopática – auxílio na deteção de convulsões

Epilepsia idiopática – auxílio na deteção de convulsões

 

A epilepsia idiopática é uma doença neurológica comum em cães que se caracteriza por convulsões recorrentes sem uma causa subjacente identificada e cujo tratamento é feito essencialmente com recurso a fármacos anticonvulsivantes.
 
Com base no artigo de Karen R. Muñana, apenas é atingido o objetivo de total ausência de episódios convulsivos em 14% dos cães. Para os restantes animais, o objetivo passa por reduzir ao máximo o número de episódios clínicos com a mínima dose de anticonvulsivante possível. No entanto, cerca de 30% dos cães nunca atingem um nível satisfatório de controlo da doença a doses toleráveis, sendo estes animais considerados resistentes à terapêutica.
 
Uma convulsão é uma manifestação de excessivas despolarizações síncronas neuronais que são, na maioria das vezes, auto-limitantes. Manifesta-se clinicamente por episódios de perda total ou parcial de consciência, perturbações sensoriais e motoras, salivação, vómito, micção, defecação, entre outros. Existe, portanto, uma constante preocupação por parte dos tutores em relação ao perigo que uma convulsão representa para o seu animal, assim como das possíveis consequências que possam advir da mesma, principalmente quando os animais são deixados sozinhos. Neste sentido, foram desenvolvidos acelerómetros que objetivam detetar uma convulsão através da atividade motora do animal com a finalidade de alertar imediatamente os tutores para que a atuação possa ser feita o mais adequadamente possível.
 
Foram delineados estudos para avaliar a fiabilidade na deteção de episódios convulsivos com recurso a acelerómetros já comercializados para outros fins, adaptados a uma coleira. Estes estudos concluíram que as convulsões podem ser, de facto, detetadas por este aparelho, ainda que com uma reduzida sensibilidade, sendo esta apenas de 20% com o algoritmo usado num dos estudos. No entanto, demonstrou-se que o aparelho apresenta uma elevada especificidade, sendo muito útil na discriminação de verdadeiras convulsões relativamente a atividades não associadas. A capacidade de deteção do aparelho está, contudo, dependente de fatores como o tipo de convulsão, sendo maior em convulsões tónico-clónicas generalizadas, a magnitude da convulsão e a expressividade motora da mesma.
 
Em modo de conclusão, a preocupação crescente por parte dos tutores detentores de animais com epilepsia idiopática num melhor controlo dos seus animais justifica a procura de mecanismos de auxílio na deteção de convulsões. A monotorização da atividade física com acelerómetros incorporados em coleiras demonstrou ser um método eficaz na deteção de convulsões generalizadas em cães, ainda que pouco sensível.