Desparasitantes… Uma escolha fácil?

Como enfermeira veterinária, deparei-me várias vezes com várias dificuldades de tutores em escolherem o desparasitante ideal. Ainda existe uma grande maioria que não sabe escolher um desparasitante nem sequer reconhece os perigos associados caso o mesmo seja mal selecionado ou administrado.
Um dia enquanto cumpria mais um turno numa Petshop, recebi uma cliente que vinha exatamente adquirir um desparasitante para o seu animal de estimação. Questionei-lhe qual era a espécie, o efeito pretendido e o peso do animal, ao que a senhora me respondeu que não sabia o peso do “Bobi”. Reconheci que para a senhora, assim como para vários tutores com quem já me cruzei, que este não era um dado relevante. Até estranhavam a questão.
Em clínica, já recebi o meu primeiro caso consequente destas escolhas erradas. Tratava-se de um gato adulto, mas ainda jovem, que apresentava toda uma sintomatologia neurológica provocada por uma administração de um desparasitante destinado a cães. A tutora tinha confundido as embalagens e o seu desespero e culpa eram avassaladores. Felizmente, após vários banhos e tratamento, foi salvo e foi o melhor presente que podíamos ter dado a uma senhora desesperada que só queria o seu amiguinho de volta.
Este caso, juntamente com os tutores que passavam pela Petshop, fez-me refletir e ter a necessidade de evitar que mais pessoas e animais passassem por estas situações. Produzi então um artigo para uma Petshop localizada em Alfena (Porto), que se estava a iniciar no mercado e que eu queria que servisse de exemplo. Falava com todos os meus clientes da Petshop onde trabalhava, alertava para todas estas questões e percebi que neste meu pequeno núcleo consegui mudar mentalidades e redobrar as atenções.
É muito importante que os tutores percebam que um desparasitante mal utilizado pode matar e, em caso de dúvida, é sempre melhor pedir ajuda a um veterinário.
Todos os tutores que tenham como intenção adquirir um desparasitante, têm obrigatoriamente de ter resposta a 3 elementos chave que são a espécie a que se destinam, o peso do animal e o efeito desejado.
Como veterinários, devemos sempre reforçar a nossa comunicação com os tutores. Mesmo quando a paciência é pouca e o tempo escasseia. Temos em nosso poder o conhecimento certo e devemos sempre de forma simples e objetiva formar os tutores.
Lembrem-se: tutores informados têm animais felizes e amados.
