Doença de Reabsorção Dentária Felina

Doença de Reabsorção Dentária Felina

 

A reabsorção dentária ocorre quando a dentina de um ou vários dentes sofre uma erosão podendo danificar todas as áreas do dente, desde a raiz até à coroa, afetando 28% a 68% dos gatos adultos. A maioria dos gatos desenvolve lesões entre os 4 e os 6 anos, mas algumas raças puras desenvolvem mais cedo.

Esta patologia é considerada uma doença progressiva e ocorre secundariamente a uma atividade dos odontoclastos que reabsorvem os tecidos, inicialmente o cemento de qualquer lugar da superfície radicular, progredindo para a dentina apicalmente ou coronalmente.

A progressão da reabsorção dentária inflamatória tem uma fase aguda (de destruição) e uma fase crónica (de reparação), sendo que podem coexistir em uma única lesão. A fase aguda é caracterizada pela criação de lacunas na dentina pelos odontoclastos e, com o estímulo inflamatório, cria-se uma vascularização na zona onde a dentina foi destruída. Na fase crónica, produz-se um tecido semelhante a cemento ou osso no topo da dentina destruída, lesionando o ligamento periodontal e o osso alveolar adjacente.

Muitos estudos melhoraram a compreensão da reabsorção dentária, mas a causa exata para o aparecimento desta patologia é ainda desconhecida.
Alguns sinais clínicos desta patologia incluem hipersiália, espirros, anorexia, dificuldade na alimentação e sangramento oral.

O diagnóstico e classificação desta doença é feita com base na extensão anatómica da lesão (estágios) e com a aparência radiográfica (tipos).

A classificação anatómica engloba o estágio 1, em que há uma leve perda de tecido duro dentário (cemento e esmalte); o estágio 2, onde a perda de tecido duro já é maior e já há perda de dentina; o estágio 3, onde há perda severa do tecido duro e perda de dentina até à cavidade pulpar; o estágio 4, onde a maior parte do dente já perdeu a sua integridade; e o estágio 5, onde a cobertura gengival já é completa e apenas se vê radiograficamente remanescentes de tecido dentário duro.

A aparência radiográfica é classificada como tipo 1, em que há perda de osso alveolar adjacente a uma área de reabsorção dentária; tipo 2, em que há perda do espaço do ligamento periodontal e da lâmina dura (devido à fusão do dente com o osso alveolar); e tipo 3, que engloba o tipo 1 e o 2.

Os dentes mais afetados são os terceiros pré-molares inferiores, primeiros molares inferiores, e terceiros e quartos pré-molares superiores.

O tratamento é feito com base na classificação feita, sendo que pode incluir a extração da raiz e da coroa ou apenas a amputação da coroa com uma retenção da raiz intencional.