Fragmentação do processo coronoide em cães

Fragmentação do processo coronoide em cães

 

A fragmentação do processo coronoide (FPC) é uma das patologias responsáveis pela displasia do cotovelo e ocorre, essencialmente, em cães de raça grande.

Anatomia do cotovelo
O cotovelo ou articulação úmero-radio-cubital é uma articulação que integra três ossos: úmero, rádio e cúbito. Além disso, é classificada como uma articulação sinovial, isto é, apresenta um espaço articular preenchido com líquido sinovial, circunscrito por uma cápsula exteriormente. No seu interior, é constituída por uma membrana sinovial cuja superfície livre reveste a cavidade articular que nutre e lubrifica a articulação (Evans& De Lahunta 2012).
São três as articulações distintas que se unem para formar a articulação úmero-rádio-cubital, nomeadamente: articulação úmero-radial, umerocubital e radiocubital (Evans & De Lahunta 2012).

Processo coronoide
O processo coronoide ou processo coronoide medial da ulna, encontra-se na zona cranial da superfície articular do úmero. Este processo pode-se dividir em processo coroide lateral e processo coroide medial. Relativamente ao processo coroide lateral, este está projetado desde o processo ancóneo até à parte lateral e distal do corte da tróclea e articula com o côndilo do úmero nos carnívoros. Quanto ao medial, este projeta-se desde a região medial até à parte distal do corte da tróclea e articula com o côndilo do úmero nos carnívoros.

Ligamentos
A articulação do cotovelo é suportada por dois ligamentos extra-articulares bem desenvolvidos: ligamento colateral medial e lateral, com origem nos epicôndilos medial e lateral, respetivamente, e dividem-se posteriormente em dois ramos, um cranial e outro caudal, que se inserem no rádio e na ulna, respetivamente (Evans and De Lahunta 2012). Os ligamentos intra-articulares são o anular, do olecrânio e o oblíquo (Schulz & Krotscheck, 2003).

Músculos, inervação e irrigação
Os músculos que envolvem a articulação do cotovelo são classificados em dois grupos: braquial e antebraquial (Constantinescu and Constantinescu, 2009). Os braquiais dividem-se em craniais (músculo bíceps e músculo braquial) e caudais, sendo que os primeiros permitem movimentos de flexão da articulação e os segundos (músculos tríceps, ancóneo e tensor da fáscia do antebraço) permitem a sua extensão. Posto isto, o cotovelo consegue realizar movimentos de supinação, pronação, extensão e flexão do antebraço, bem como extensão e flexão do carpo e dígitos (Evans and De Lahunta 2012). A inervação da articulação é realizada pelo nervo radial, musculocutâneo, mediano e ulnar. A sua irrigação é feita pela artéria axilar que se divide em dois ramos terminais: artérias subescapular e braquial.

Diagnóstico por exame físico
Ao inspecionar o animal, pode-se inicialmente, verificar-se que este apresenta geralmente claudicação de um ou ambos os membros dianteiros, podendo, para além disso, apresentar marcha rígida ou forçada (Fossum, 2015).
À palpação, com o animal em estação, pode-se sentir atrofia muscular (simétrica ou assimétrica, associada a redução da utilização muscular), efusão articular e/ou edema dos tecidos moles peri articulares. Deve-se, ainda, avaliar a amplitude do movimento do membro anterior (Fossum, 2015). Caso o animal apresente dor na hiperextensão da articulação do cotovelo, pode ser um dos sinais precoces de fratura do processo coronoide. Durante a palpação e manipulação do cotovelo, é importante que o ombro não seja flexionado nem estendido, para evitar a possível confusão entre dor no ombro e no cotovelo (Fossum, 2015). Em casos de osteoartrite avançada, verificamos redução da capacidade de flexão do cotovelo (Fossum, 2015). Quando este processo se mantém durante várias semanas, estará associado a dor crónica (Fossum, 2015).

Bibliografia
Beale, B.S., Hulse, D.A., Schulz, K.S. & Whitney, W.O. (2003). Small Animal Arthroscopy. Philadelphia, USA: Elsevier Science
Constantinescu, G.M. & Constantinescu, I.A. (2009). A clinically oriented comprehensive pictorial review of canine elbow anatomy. Journal of Veterinary Surgery
Evans H, De Lahunta A. 2012. Miller’s Anatomy of the Dog. 4ª edição. Saunders
Fossum, T. (2015). Cirurgia de Pequenos Animais, 4ª Edição, Elsevier Editora Lda.