Principais Neoplasias Induzidas pelos Carcinógenos do Tabaco em Cães e Gatos

Um dos principais causadores do cancro no mundo é o tabaco. Este é retirado de uma planta denominada Nicotiana tabacum, da qual as folhas são utilizadas no fabrico de produtos que têm como princípio ativo a nicotina, entre eles o mais comum é o cigarro que contém mais de 60 carcinógenos.
No organismo dos animais o principal sistema afetado pelo tabagismo passivo é o respiratório. Nos pulmões podem surgir neoplasias primárias, neoplasias secundárias ou metástases e neoplasias multissistémicas.
Os sintomas mais frequentes são tosse seca crónica, dispneia e a intolerância ao exercício. O diagnóstico definitivo da neoplasia pulmonar é realizado somente por citologia ou exame anatomopatológico.
Os casos diagnosticados têm aumentado e está relacionado com o aumento da exposição dos animais à poluição e ao fumo passivo do tabaco, pelo que existe um risco aumentado de cancro do pulmão, seios paranasais e cavidade nasal. As neoplasias pulmonares primárias podem acometer um ou vários lobos pulmonares e podem estar presente somente num pulmão ou em ambos.
Os cães expostos ao fumo do tabaco podem desenvolver rinite e, também, hiperplasias epiteliais das células basais e metaplasia escamosa nos cornetos. Os carcinomas nasais também podem ser induzidos nos cães pela inalação do fumo, pois a mucosa nasal é sensível a diversas classes de carcinógenos inalados. Nestes casos, os cães com mais predisposição são os dolicocefálicos, dada a anatomia e fisiologia do trato respiratório. Em contrapartida, os cães braquicefálicos têm maior predisposição a cancro do pulmão.
De forma a avaliar o grau de exposição ao fumo do tabaco, os animais realizam um exame de dosagem da enzima cotinina, a partir da urina, para comprovar ou descartar a exposição à nicotina e ao alcatrão. De seguida, os animais são anestesiados e sujeitos a uma biópsia brônquica e lavado broncoalveolar. Animais que sejam expostos ao fumo do tabaco, apresentam variações de natureza inflamatória, como aumento de linfócitos e macrófagos, além da presença de antracose.
Existe cerca de 60% maior probabilidade de cães desenvolverem cancro do pulmão, uma vez que convivem com fumadores, enquanto que os gatos têm uma probabilidade três vezes maior de desenvolverem linfoma, devido aos seus hábitos de limpeza, uma vez que os gatos realizam grooming constantemente, e, dessa forma, ingerem substâncias tóxicas que se acumularam na sua pele, expondo as mucosas da boca aos carcinógenos.
Bibliografia
Cabral, V. X., Bastianello H. C. & Leite, L. G. (2020). Principais neoplasias induzidas pelos carcinógenos do tabaco em pequenos animais: revisão de literatura. Congrega, 16, 1-6.;
Moralles, É. N. (2014). Estudo dos efeitos mutagênicos do tabagismo passivo em cães (Dissertação de Mestrado não editado, Programa de Fisiopatologia Experimental). Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina, São Paulo.
