Tropilaelaps em Abelhas Melíferas

Tropilaelaps em Abelhas Melíferas

O Tropilaelaps spp. é um ácaro bastante parecido com a Varroa destructor, no entanto mais destrutivo por apresentar uma taxa de reprodução mais elevada. Este parasita é disseminado através da enxameação, de favos infetados durante o manuseamento.

Quando existe uma suspeita de infestação por Tropilaelaps numa colmeia, a mesma tem que ficar em isolamento até ser confirmado, quando se confirma deve ser reportado ao governo e no período em que as colmeias estiverem infestadas, não podem ser comercializados enxames da colónia, mas o produtor pode importar abelhas de outras colónias. Apesar de ser uma Doença de Declaração Obrigatória em Portugal, até à data este parasita ainda não foi detetado no nosso país.

O que se observa são os ácaros presos aos corpos das abelhas operculadas em estado avançado. O ácaro tem 4 pares de patas, não existe distinção entre a cabeça, o tórax e abdómen, apresenta uma cor castanha-avermelhada, é visível a olho nu, mas é mais pequena que a Varroa d.

Este parasita é bastante prejudicial para as abelhas de forma direta, na medida em que tem habilidade para deformar as asas, os opérculos dos corpos das abelhas ficam com pequenos orifícios, o abdómen fica deformado e conseguem matar uma grande parte da criação ainda antes de chegarem a adultas. As abelhas parasitadas que chegam a adultas e iniciam a sua vida produtora, não tem habilidade de voar distâncias tão grandes como as não afetadas, apresentam uma condição corporal inferior. Em contrapartida, quando o acaro infetam abelhas em estadio de pupas, estas tem uma diminuição da resposta imunitária o que afeta o combate de uma doença infeciosa, vírica, parasitária entre outras.

Em 2020, na Austrália, foi relatada uma infestação por Tropilaelaps que foi comparada á pandemia por Covid-19, porque houve uma expansão muito rápida do ácaro tendo sido considerado a maior ameaça para as colmeias de abelhas melíferas, pois as que não recebessem tratamento acabaram por morrer ao fim de 2 anos.

Para controlo desta parasitose pode-se usar acaricidas, no entanto apresentam uma alta probabilidade de contaminar o mel, existindo ainda a possibilidade de se usar ácidos orgânicos qua podem causar algum dano nas abelhas ou óleos essenciais como o de erva príncipe que funciona muito bem para diminuir a carga parasitária.

Bibliografia
Alison McAfee (2020). Honey bees are struggling with their own pandemic. In Scientific American.;
Lilia I. de Guzman, Geoffrey R. Williams, Kitiphong Khongphinitbunjong, Panuwan Chantawannakul (2017). Ecology, Life History, and Management of Tropilaelaps Mites. In Journal of Economic Entomology. Volume 110, Issue 2, Pages 319–332.;
M.P.Riviere, G.Marris,M. Schäfer. O ácao TROPILAELAPS spp.. In Anses.