Animais de produção: Primeiro as necessidades de manutenção e depois as de produção

Animais de produção: Primeiro as necessidades de manutenção e depois as de produção

Existem várias doenças que podem aparecer nos animais de produção, derivadas de uma má nutrição. Estas dependem da espécie em estudo, sendo que, nos monogástricos as principais doenças com causa nutricional são originárias de deficiências em minerais e vitaminas (oligoelementos). No entanto, nos dias de hoje, é improvável que os animais desenvolvam este tipo de patologias, uma vez que, estes são suplementados devidamente consoante as suas necessidades.

Os ruminantes são animais que apresentam algumas carências especificas, sendo que é bastante importante ter em atenção desequilíbrios entre o rácio de forragem e de ração, bem como, os seus teores de amido e compostos azotados, que podem originar acidoses e acetonémias, entre outros problemas. Para resolver este tipo de problemas, é necessário realizar um diagnóstico correto, de forma, a possibilitar a reformulação da ração.

Otimizando a produção
É de conhecimento geral que um animal saudável origina produtos de melhor qualidade. Apesar de ser essencial que o animal produza o máximo possível, é importante perceber que nem sempre esse máximo se traduz em qualidade, e assim, é necessário encontrar um equilíbrio entre quantidade e qualidade. Nos dias de hoje, os avanços da ciência, permitem racionalizar a alimentação, visto que são já conhecidas as necessidades de cada tipo de animal.
A maior preocupação numa exploração é a otimização, sendo que, por exemplo, se falarmos de animais para engorda, é importante produzir mais carne utilizando uma menor quantidade de alimentação fornecida, ou seja, com um índice de conversão menor. Por outro lado, se falarmos em animais como galinhas poedeiras ou reprodutoras, o importante é produzir mais ovos no tempo de vida útil de cada animal, com o menor consumo de alimento. No caso da produção de leite, o essencial é produzir uma maior quantidade de leite com uma melhor qualidade, ao menor custo.
O custo da alimentação é um fator bastante significativo nas explorações, visto que, dependendo dos tipos de exploração, representa entre 60% a 80% dos custos de produção. Relativamente à alimentação, a primeira preocupação, é que esta satisfaça as necessidades nutricionais dos animais, e só depois, as necessidades de produção, sendo que, deve ser equilibrada, evitando o aparecimento de desequilíbrios gastrointestinais e permitindo o bem-estar.

O equilíbrio é a chave
A dieta deve, deste modo, ser equilibrada e determinada, tendo em conta, as necessidades nutricionais de cada animal. Visto que os animais de produção apenas consumem o que lhes é fornecido, é essencial formular uma alimentação que lhe permita satisfazer as necessidades de manutenção e produção, proporcionando um equilíbrio entre funções digestivas e gastrointestinais.
A fisiologia digestiva de monogástricos e de ruminantes é bastante diferente, e por isso, a composição e o teor dos alimentos fornecidos a ambos, devem ser diferentes. Um exemplo disso, é a fibra bruta, que pode aumentar o transito intestinal num monogástrico e originar o contrário num ruminante.

A diferença entre leite e carne
Relativamente aos bovinos é necessário ter em conta, que a alimentação de animais produtores de leite difere da alimentação para animais produtores de carne.
De um modo geral, aos animais de carne é fornecido um concentrado muito energético e uma componente forrageira reduzida, o que pode levar a desequilíbrios com consequências graves para a saúde destes animais. No caso dos animais produtores de leite, a alimentação é sobretudo forrageira, uma vez que, as forragens são essenciais para o seu equilíbrio digestivo e metabólico, bem como para a qualidade do leite.
Porém, o tipo de dietas fornecidas, depende da zona e da disponibilidade sazonal de matérias-primas.

As diferentes fases de vida
Outro fator bastante importante, são as diferentes fases de vida dos animais, uma vez que, as suas necessidades nutricionais variando consoante a fase em que se encontram. Quando uma vaca se encontra em lactação e em simultâneo em gestação, o alimenta tem de contemplar essa necessidade acrescida de nutrientes. Porém, um animal pode encontrar-se nas duas fases anteriormente referidas e estar também em crescimento, sendo necessário, outro acréscimo de nutrientes.

Bibliografia
www.veterinaria-atual.pt/na-clinica/animais-de-producao-primeiro-as-necessidades-de-manutencao-e-depois-as-de-producao/