Leishmaniose canina e a resposta imune associada

A leishmaniose é uma doença infeciosa complexa transmitida por vetores parasitas do género da Leishmania. A Leishmania infantum é transmitida, principalmente, pela picada de flebotomíneos, causando doenças graves em diferentes hospedeiros mamíferos. No entanto, existem outras vias de transmissão, como a vertical, por transfusão de sangue e, mais recentemente descrita, in útero.
Gatos, coelhos e furões podem ser hospedeiros acidentais ou reservatórios. Algumas raças demonstram uma maior predisposição como o Boxer, Cocker Spaniel, Rottweiler e Pastor Alemão. Pelo contrário, o Ibizan Hound parece apresentar alguma resistência.
Cães afetados podem desenvolver doença clínica ou podem permanecer em fase subclínica. No entanto, pacientes assintomáticos podem vir a progredir para pacientes clínicos. As lesões cutâneas são as manifestações mais frequentes, tendo a evolução clínica impacto no prognostico e influencia na eficácia de um determinado protocolo de tratamento.
O diagnostico passa por uma história compatível, sinais clínicos, métodos serológicos, moleculares e parasitológicos. Ao longo dos anos, há uma tentativa de otimizar estas metodologias em cães infetados, pelo que estão a ser desenvolvidas técnicas inovadoras, como a deteção de parasitas e medição de outros biomarcadores do sistema imunológico de amostras de saliva.
A evolução dos pacientes é influenciada por diversos fatores, desde características do parasita a características do hospedeiro. Tanto em humanos como em cães, a imunidade protetora contra a leishmaniose é mediada por células T e associada a uma elevada produção de IFN-y e de TNF-alfa. A resposta imune celular correlaciona-se com melhor resistência à doença, resolução da infeção e aumento da imunidade. Esta resposta promove a eliminação de macrófagos intracelulares de parasitas. Por outro lado, a sua progressão está associada a níveis elevados de citocinas Th2, como IL-4 e IL-10, assim como predomínio da resposta humoral.
Assim, animais com doença subclínica mostram uma resposta humoral fraca ou ausente e celular mais forte, com baixos títulos de anticorpos anti-Leishmania e uma baixa carga parasitária. Já animais doentes, o inverso.
Sendo esta uma doença emergente, é essencial promover programas de pesquisa que visem melhorar o controlo de vetores bem como opções diagnosticas e terapêuticas eficazes. Atualmente, muito poucos medicamentos estão disponíveis para esta doença e a OMS recomenda a utilização de medicamentos para humanos apenas para humanos, com o risco do desenvolvimento de resistências, como a Anfoterecina. Acredita-se que o futuro do tratamento se baseie nos imunomodeladores, estando a ser direcionadas investigações nesse sentido.
Como tratamento de primeira linha, atualmente, é recomendada a combinação de N-metilglucamina antimoniato subcutânea durante 4-6 semanas, com a sua atividade parasiticida, juntamente com alopurinol oral por 6 meses no mínimo, que bloqueia a síntese de RNA nos parasitas, inibindo a sua multiplicação.
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Bibliografia
: Segarra, S. Nutritional Modulation of the Immune Response Mediated by Nucleotides in Canine Leishmaniosis., Microorganisms 2021,
