Quente ou frio? ABC da hidroterapia local

Quente ou frio? ABC da Hidroterapia Local

A hidroterapia consiste na aplicação terapêutica de frio (crioterapia) ou calor (termoterapia), técnicas muito úteis na reabilitação e tratamento de lesões em tecidos moles e/ou musculo-esqueléticas. São exemplos de aplicações de termoterapia local o uso de sacos de gelo, massagens com gelo, bandas de compressão, mantas de água, lâmpadas de infravermelhos, etc.
O efeito da hidroterapia é reduzir a inflamação, mitigar efeitos secundários adversos da mesma e reduzir a dor associada ao exercício.
Quando queremos escolher que modalidade vamos aplicar temos de ter em consideração que estadio inflamatório está presente no tecido em questão, isto é, se temos uma inflamação aguda ou crónica.

A inflamação aguda caracteriza-se por haver libertação de mediadores químicos logo após lesão, o que se vai traduzir em alterações na microcirculação, libertação de leucócitos para a circulação e aumento do fluxo sanguíneo para a região. Esta resposta é responsável por causar alterações na circulação que levam a consequente espasmo muscular com vermelhidão, inchaço, edema e dor.

Uma inflamação crónica é um processo arrastado no tempo no qual há aumento dos leucócitos e do fluxo vascular por mais tempo do que o necessário para a cicatrização. Desse modo, este tipo de inflamação leva a alterações com deterioração tecidular o que leva a danos permanentes e dor nos tecidos afetados.

A crioterapia provoca vasoconstrição o que permite reduzir hemorragia e formação de edema. Deste modo, esta técnica está indicada para pacientes com inflamações ou lesões agudas, inchaços pós-cirúrgicos e dor associada à inflamação. Ao haver vasoconstrição, há diminuição dos efeitos metabólicos, diminuição da distribuição dos mediadores inflamatórios e redução da libertação de histamina resultando em menor lesão tecidular.

A termoterapia provoca vasodilatação. Esta vasodilatação é útil em estadios inflamatórios sub-agudos ou crónicos uma vez que permite remover metabolitos tecidulares e aumentar a taxa metabólica permitindo acelerar a cicatrização. Um dos principais benefícios da termoterapia é a diminuição da rigidez tecidular. Quando aquecemos o tecido afetado há diminuição da atividade dos sarcómeros e o músculo deixa de estar isquémico. Ao diminuir esta isquémia vamos reduzir os espasmos musculares e aumentar a extensibilidade muscular. Deste modo, a termoterapia está também indicada para situações em que há contraturas ou dor associada a rigidez muscular.

Em suma, durante um processo inflamatório agudo a crioterapia é indicada enquanto que no período subagudo ou crónico, a termoterapia é a técnica de eleição.
Como qualquer outra terapia utilizada na reabilitação, há sempre contraindicações e precauções que temos de ter em consideração. Apesar destes tratamentos serem locais, a história pregressa do animal deve ser conhecida na íntegra de modo a minimizar o risco de reações adversas à terapia.
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Bibliografia
Superficial Thermal Modalities: Heat and Cold Therapy Effects and Uses [Ver Mais];