Urolitíase de Oxalato de Cálcio em Gatos

A urolitíase é definida como a formação de urólitos (cálculos) no trato urinário. Estudos recentes relataram que entre 7 a 28% dos gatos que apresentaram sinais de doença do trato urinário, foram diagnosticados com urolitíase. Gatos com cálculos vesicais podem apresentar uma variedade de sinais do trato urinário inferior, incluindo polaquiúria, estrangúria, hematúria, periúria (urinar fora da caixa de areia) ou uma combinação desses sinais. Urólitos podem variar relativamente à sua composição mineral, sendo os cálculos mais comuns em felinos os de estruvite (fosfato de amônio de magnésio) e de oxalato de cálcio (CaOx), cada um com >40% dos urólitos.
Os dois principais fatores que contribuem para a formação dos cálculos de oxalato de cálcio são a supersaturação da urina, com cálcio e oxalato, e o equilíbrio entre as substâncias que promovem e inibem a formação destes cristais. Quando a urina está supersaturada com cálcio e oxalato, é mais provável que ocorra a formação de cristais, sendo a supersaturação relativa da urina (RSS) uma medida que reflete esse estado. Para avaliar a supersaturação da urina com materiais calculogénicos, é necessário ter em conta a importância da quantidade de água na urina, a concentração de cálcio e a concentração de oxalato.
O teor de água é talvez a variável mais importante que afeta a formação de CaOx. O aumento da água dilui a urina e aumenta o volume de urina, reduzindo assim a RSS. A excreção urinária de oxalato e de cálcio depende da ingestão dietética, da absorção intestinal, da secreção tubular renal e da taxa de síntese destas substâncias. O papel dos precursores dietéticos na fisiopatologia do CaOx é pouco compreendido.
Níveis mais altos de humidade, proteína, sódio e potássio na dieta foram, retrospetivamente, associados a um menor risco de CaOx em gatos. Já em humanos, dietas ricas em proteína animal estão associadas à acidose metabólica e hipercalciúria e, por isso, são considerados um fator de risco para CaOx. Em contrapartida, a alta ingestão de proteína na dieta apresenta uma ação protetora contra CaOx em cães e gatos e leva ao aumento do volume urinário. Pequenos estudos prospetivos, em gatos, relatam resultados conflitantes sobre a relação entre o pH da urina e o risco de cristalização de CaOx avaliado por RSS. Supõe-se que a acidificação da urina pode aumentar o risco de CaOx, promovendo a calciúria, como resultado da reabsorção do cálcio ósseo e de fosfato na acidose metabólica crônica e pela diminuição da citratúria.
Não sendo necessário cirurgia, deve-se prevenir a recidiva desta patologia por controlo alimentar, sendo que a modificação dietética mais importante que se pode realizar, é aumentar a ingestão de água e, consequentemente, o volume urinário, de forma diminuir a gravidade específica da urina. A ingestão de comida húmida é a melhor opção para aumentar a ingetão de água, mas existem várias formulações comerciais desenhadas para diminuir a ocorrências destes cristais, pois estas comidas têm uma concentração de cloreto de sódio maior e uma ligeira restrição de proteínas
Bibliografia
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