Uma destartarização vale mais que bactérias no coração

Uma destartarização vale mais que bactérias no coração

A doença periodontal é uma patologia cada vez mais comum nos animais de companhia não só pela predisposição genética, mas também pelo o aumento da longevidade dos nossos patudos bem como a dificuldade de acesso a determinados tratamentos por falta de meios económicos.

A doença periodontal é conhecida comummente como tártaro, este é composto por restos de alimentos, saliva e células do biofilme, acompanhado por gengivite. Inicialmente surge o tártaro e depois a gengivite, inflamação das gengiva e/ou a periodontite, inflamação do periodonto. Com a progressão da doença e a sua falta de tratamento ocorre regressão da gengiva podendo até mesmo surgir a “furca” que é o surgimento de espaço entre duas raízes dentárias e exposição das mesmas, este acontecimento não é reversível.

O aparecimento da doença periodontal apresenta uma etiologia multifatorial, podendo surgir por fatores comportamentais, alimentares, anatómicos, imunológicos, por predisposição racial ou por falta de meios económicos por parte do tutor. Por exemplo se o tutor em conjunto com o médico veterinário observarem regularmente a cavidade oral do animal e forem realizadas destartarizações ainda antes de existir aparecimento de gengivite ou periodontite, a probabilidade de o animal desenvolver esta doença ou realizar extrações dentárias, reduz drasticamente.

Mas afinal qual é o verdadeiro problema de existir tártaro nos dentes dos nossos patudos? Além de toda a questão dentária o verdadeiro problema são as pericardites e infeções sistémicas que o animal pode desenvolver através da placa bacteriana dentária. A inflamação do periodonto gera vasodilatação o que permite uma entrada mais facilitada de bactérias na corrente sanguínea permitindo assim o seu alojamento no pericárdio e disseminação pelo o organismo.

Para tratamento da parte reversível desta doença, o que se faz é a destartarização, ou seja, a remoção de placa bacteriana através de ultrassons muito rápidos e se necessário a exodontia que consiste na remoção de alguns dentes. Para prevenção é aconselhado a fricção mecânica nos dentes através de escovagem regular, a administração de dietas que exigem mastigação por parte do animal e o uso de brinquedos específicos para cuidados dentários.

Bibliografia
Santos, J., (2018). Relação entre a doença periodontal e doenças sistémicas bacterianas no cão: Um estudo retrospectivo. Faculdade de Medicina Veterinária;
Feijó, F., Teixeira, Teixeira, A., Silva, R., Chaves, K., Oliveira, R., Correia, F., Santos, J. e Parize, T., (2022). Doença periodontal em cães e gatos – abordagem clínica. Brazilian Journal of Development;