“Doença de Crohn, Dieta e Microorganismos: o que descobrimos?”

Sabe-se que a dieta afeta profundamente a comunidade microbiana; para isso, dietas especiais têm sido usadas como terapias para distúrbios intestinais, em humanos, incluindo a doença de Crohn. Estas dietas também são comumente usadas em cães, que podem desenvolver uma doença intestinal crônica que espelha muitas das características da doença de Crohn.
Um novo estudo, publicado na revista Microbiome, investigou a conexão entre uma dieta prescrita, o microbioma intestinal e uma entrada bem-sucedida na remissão de doenças em cães de estimação em tratamento no Ryan Veterinary Hospital da Penn Vet.
Foram descobertas características-chave do microbioma e produtos metabólicos associados que apareceram apenas em cães que entraram na remissão da doença.
Um tipo de bactéria que produz esses compostos, conhecidos como ácidos biliares secundários, aliviou a doença em um modelo de murganho.
Comparando o impacto da dieta no microbioma do cão com o observado durante a dietoterapia em crianças com Crohn, o estudo também encontrou semelhanças notáveis.
Para iniciar este estudo, foi necessário encontrar e analisar uma população de cães de estimação com enteropatia crónica canina (CE), uma condição crónica que envolve perda de peso e inflamação intestinal, diarreia, vómitos ocasionais, perda de apetite e recidiva crónica, como visto na Doença de Crohn humana. O estudo envolveu 53 cães, 29 com CE e 24 controlos saudáveis. Foram feitas colheitas de fezes no início do estudo e em diferentes momentos durante a dieta prescrita para tratar a doença. Através do sequenciamento genético, foi desenvolvido um catálogo dos microrganismos presentes nas fezes. Também foram recolhidas informações sobre os produtos metabólicos presentes nas fezes.
Vinte dos 29 cães doentes entraram rapidamente em remissão; as análises genéticas e de metabolitos revelaram alterações características nesses cães. Em particular, aqueles que responderam bem à dieta mostraram um aumento nos metabolitos conhecidos como ácidos biliares secundários. Estes são produzidos quando certos microrganismos do intestino consomem bílis.
Um desses microrganismos “bons” com capacidade de produzir ácidos biliares secundários foi a bactéria Clostridium hiranonis, descoberta em maior número em cães que entraram em remissão. Os cães que responderam bem à dieta também apresentaram menos bactérias prejudiciais, como Escherichia coli e Clostridium perfringens.
Além do mais, os ácidos biliares secundários associados à remissão foram utilizados em conjunto com culturas de E. coli e C. perfringens; descobriram que os ácidos biliares inibiam o seu crescimento.
Os autores deste estudo referem que as descobertas oferecem esperança para melhores terapias dietéticas para a Doença de Crohn, que começam a ser agora construídas a partir destes resultados.
