Parasitas Pulmonares em Eurinaceus Euroapeus

O ouriço europeu (eurinaceus euroapeus) é um animal selvagem e como tal a contração de parasitas externos e internos é bastante comum. Recentemente tem-se verificado um grande aumento de parasitas internos, nomeadamente ao nível do trato respiratório, e acredita-se que seja um dos principais motivos para o declínio da população de ouriços. É, por isso, de extrema urgência tomar medidas de profilaxia e tratamento.
Para identificação dos parasitas pode recorre-se a recolha das fezes dos animais e realizar técnica de flutuação com posterior observação da morfologia ao microscópio ótico e contagem com a câmara de Mcmaster. Através destas técnicas serão observados ovos dos parasitas e, caso existam coccídeas, os seus oocistos. Se se verificar necropsia devem analisar-se os pulmões, fígado, coração e intestino, onde se fará a deteção de parasitas nas suas formas larvares e/ou adultas.
O crenasoma striatum é uma larva pulmonar da classe nematoda e o ouriço europeu é o seu hospedeiro específico. Este parasita desenvolve todos os seus estágios larvares em hospedeiros paraténicos, sendo que somente o desenvolvimento do último estádio larvar para estádio adulto ocorre dentro dos ouriços. Os sinais clínicos observados nesta infeção são a tosse seca, perda de condição corporal, renite, bronquite causando posteriormente lesões brônquicas e alveolares devido a infeções secundárias. Em 2020 foi registado o aparecimento de crenasoma striatum em ouriços europeus em Portugal – estes parasitas foram detetados em necropsia aos pulmões de ouriços.
Relativamente às capillaria são conhecidas 3 subespécies que contaminam os ouriços, sendo duas delas parasitas do trato gastrointestinal e uma parasita pulmonar: a c. aerophila, esta última é contraída quando os ouriços ingerem minhocas parasitadas. O ciclo de vida da c. aerophila é bastante similar ao do crenasoma striatum , no entanto os ovos são tossidos e engolidos novamente para depois contaminarem as fezes. Esta parasitose apresenta sintomas como irritação pulmonar e tosse, mas o maior dano causada são as condições ótimas para o desenvolvimento de infeções bacteriana secundárias, podem porém existir ouriços portadores assintomáticos.
A capillaria aerophila é considerada zoonótica, ainda que o humano seja um hospedeiro acidental.
Para tratamento e profilaxia o antiparasitário que se considera mais efetivo no controlo destes parasitas é a ivermectina sendo as taxas de sucesso na erradicação de crenasoma de 95.9% e a de capillaria aerophila de 100%. A dosagem recomendada é de 0.2 – 0.3 mg/Kg, com duas tomas a cada 15 dias (por norma), sendo por vezes necessário fazer uma terceira toma, quando a carga parasitária é bastante elevada.
Com as pesquisas e investigações já realizadas sobre este tema, é necessário aprofundar estudos à cerca de outros parasitas que também possam apresentar tropismo para os pulmões, bem como a ação e efeito no organismo do ser humano. Devem ainda ser dinamizadas estratégias de desparasitação para ouriços que se encontrem em estado selvagem de forma regular, sendo que se trata de um assunto de saúde pública e de uma das principais causas para o declínio da população de eurinaceus euroapeus.
Bibliografia
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