A medusa imortal

A Medusa Imortal

As medusas iniciam a sua vida no estadio larvar. Nesta altura, são umas criaturas com forma oval que se deslocam em espiral na água, procurando uma rocha ou superfície onde se possam “ancorar”. Após encontrarem um local firme, a sua metamorfose tem inicio havendo a passagem para o estadio de pólipo. Daqui em diante, vão-se formando colónias de pólipos resultantes da clonagem do pólipo inicial.
Dos pólipos, quando totalmente maturos, vão brotar pequenas medusas bebés. ( Figura 1)

Como se o seu inicio de vida não fosse já por si só extraordinário o suficiente, uma medusa em concreto, a Turritopsis dohrnii vem também contrariar as regras e ter um fim de vida curioso, ou melhor, não ter de todo.

Quando a Turritopsis dohrnii passa por períodos de fome, sofre lesões ou se encontra em águas com temperaturas não suportáveis, o seu corpo adulto vai aderir a superfícies no fundo do oceano onde se inicia o seu processo de decadência. O que é surpreendente, é que as suas células têm a capacidade de regenerar. A este processo denomina-se de transdiferenciação. Na transdiferenciação, uma célula diferenciada adulta consegue transformar-se numa outra qualquer célula diferente também diferenciada. No caso desta medusa, as células adultas convertem-se em pólipos. Esses pólipos vão depois brotar e daí dar origem a novas medusas bebés que são geneticamente idênticas à medusa adulta que lhes deu origem. Deste modo, uma medusa adulta pode voltar ao estadio inicial da sua vida, vezes e vezes sem conta.

O mecanismo exato por detrás da transdiferenciação ainda não é completamente entendido pelos cientistas. No entanto, o estudo deste tipo de processos pode vir a trazer novos esclarecimentos importantes para uma melhor compreensão dos processos de regeneração celular e regeneração de tecidos.

Apesar da T. dohrnii conseguir passar por este processo, não quer dizer que consegue sempre enganar a morte. É o caso da predação. Esta e outras medusas são presas para outros animais como peixes e tartarugas. Além disso, os próprios pólipos são praticamente indefesos sendo predados por crustáceos e lesmas-marinhas. Deste modo, nós não vemos uma sobrepopulação destas medusas uma vez que há de facto um controlo da sua população através da predação e de outros fatores.

Bibliografia
BBC Earth[View more];
NHM[View more];