Os nossos cães sabem exatamente o que estamos a dizer

Foi apenas em 2016 que os investigadores descobriram que os canídeos têm a capacidade de perceber não só o que dizemos, mas também o tom que utilizamos. Em Agosto de 2016 foi publicado um artigo na revista Science que comprova que o cérebro canino processa a informação de uma forma semelhante ao cérebro humano. Scans cerebrais demonstram que quando dizemos “Lindo cão!” o animal ouve não só o que dizemos mas também o tom que é utilizado. Em humanos as palavras e a entoação são essenciais na interpretação da fala e desde que foi efetuado este estudo, sabemos que para os cães também.
Attila Andics, etologista, que liderou o estudo começou a estudar canídeos de forma a perceber como é que o cérebro dos mamíferos processa a fala. O primeiro passo para a realização do estudo foi treinar os cães para que permanecessem completamente imóveis dentro de um scanner de ressonância magnética. Foram necessários meses de treino para que tal objetivo fosse atingido. Foram estudados treze cães, seis border collies, quatro golden retrievers, um pastor alemão e um cão de crista chinês. Em 2014 Andics e outros colegas estudaram os treze cães e demonstraram que partes cerebrais eram ativadas e como é que os animais reagiam a diferentes sons como grunhidos, latidos, gritos e ganidos tanto de pessoas como de outros cães. Em 2016, estudando os mesmos treze cães, foi estudada a fala, pois o seu nível de complexidade é muito mais elevado que simples sons. Os animais eram sujeitos a gravações dos donos a falar de quatro formas diferentes: uma palavra de elogio que o animal associa a um acontecimento positivo num tom de voz positivo, uma palavra neutra num tom neutro, uma palavra neutra num tom positivo e uma palavra de elogio num tom neutro. Os resultados demonstraram que o hemisfério esquerdo responde à palavra em si e o hemisfério direito responde à entoação da palavra.
