Coelho de Darwin ajuda a desvendar resistência à mixomatose

O coelho-bravo, originário da Península Ibérica, deparou-se na década de 50 com uma doença mortífera que tem vindo a dizimar populações. O vírus da mixomatose, que afeta de forma benigna as espécies de lagomorfos sul-americanas, foi utilizado como medida de controlo biológico na Austrália, onde os coelhos se tornaram uma praga. Eventualmente, o vírus acabou por chegar à Europa e teve um efeito devastador por todo o continente, afetando também as populações de predadores, como o lince-ibérico e a águia-real.
Ao longo do tempo, os cientistas começaram a notar que as populações, embora em locais diferentes, foram conseguindo desenvolver alguma resistência ao vírus. Foi esta observação que motivou o presente estudo, que contou com investigadores da Universidade do Porto e da Universidade de Cambridge.
Através da colaboração com inúmeras instituições, que proporcionaram amostras de coelhos anteriores a 1950, de entre as quais o esqueleto de um coelho pertencente a Charles Darwin, os cientistas foram capazes de estabelecer uma comparação entre as genéticas dos coelhos antes e depois da disseminação da doença. Foram identificadas várias mutações que conferem uma maior resistência às populações atuais. O mais interessante de tudo é que estas alterações do genoma aconteceram de forma semelhante em três países diferentes – Portugal, França e Reino Unido.
