Será possível viver para sempre?

Descoberta em 1988, a Turritopsis dohrnii exibiu logo um comportamento intrigante: a medusa “recusava-se” a morrer e parecia tornar-se cada vez mais “jovem”. Uma regressão que a levou de volta à sua primeira fase de desenvolvimento, começando um novo ciclo de vida. Este animal é capaz de voltar ao seu primeiro estágio de vida em qualquer fase de seu desenvolvimento, escapando da morte e alcançando uma potencial imortalidade.
A maioria das medusas começa a vida como uma larva que cresce para um pólipo. O pólipo produz medusas que se reproduzem e morrem. Contudo, por vezes um adulto não morre. Sob uma ameaça, ele consegue transformar as suas células adultas que estão a morrer em novas células que formam um pólipo saudável. Esse pólipo continua o seu ciclo de vida continuando a produzir novas cópias do adulto original.
São difíceis de apanhar e de manter em laboratório. Mas foi descoberto que se espalharam para todo o mundo através de navios de carga e que se adaptaram incrivelmente bem aos novos ambientes através deste processo.
Esta capacidade encorajou cientistas a estudar mais a fundo este ser, pois pode ensinar a combater os efeitos do envelhecimento nos humanos.
Para além de todos os perigos que somos submetidos diariamente capazes de causar cancro, a divisão celular e o envelhecimento podem causar graves mudanças na expressão de genes nas nossas células. Mas há evidencias de que talvez consigamos reverter essas mudanças.
Atualmente é possível reprogramar células em ratos adultos para torná-las células estaminais jovens. Porém as células estaminais são difíceis de controlar e podem levar a tumores. Para além disso, este é processo demorado que pode levar mais de 6 meses. Com a ajuda desta medusa, poderá ser possível transformar células velhas em novas células especializadas sem ser necessário passar pela fase das células estaminais. Como é um processo direto pode durar apenas entre uma a duas semanas.
Nos ratos, os cientistas usaram esta técnica para produzir mais insulina e alguns estudos sugerem que a mesma pode tratar doenças cerebrais. A transdiferenciação é uma grande aposta para a medicina regenerativa e pode um dia ser usada para repor neurónios danificados do cérebro e estas medusas podem ter a resposta para isto.
