Alopecia em cães

Alopecia é a ausência de pelos em áreas onde o pelo deveria estar presente. A alopecia tem várias causas, sendo comumente encontrada em diversas dermatopatias. O termo “alopecia X” ou aprisionamento do folículo piloso é utilizado para definir um conjunto de manifestações cutâneas em cães, como alopecia não inflamatória, bilateral, simétrica, normalmente sem prurido associado.
Aspetos epidemiológicos da doença “A alopecia X” normalmente é observada em animais adultos, jovens, em média entre 1 e 2 anos, na sua maioria macho e não castrado. Porém, pode ocorrer em ambos os sexos, independentemente do animal ser castrado ou não. Algumas raças nórdicas de cães que apresentam um manto piloso denso e duplo como Malamute do Alasca, Chow Chow, Husky Siberiano, Spitz Alemão e Samoieda são mais comumente acometidas, porém a doença pode ser diagnosticada em cães de qualquer raça.
Existem vários fatores que controlam o crescimento do pelo, podendo ser resumidos como fatores intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros são os fatores produzidos por células epiteliais e mesenquimais no folículo piloso e ao seu redor. Os fatores extrínsecos são aqueles produzidos por outros órgãos além da pele, como as hormonas da tiroide, a temperatura, fricção e terapia medicamentosa.
A causa e a patogênese da alopecia X, ainda hoje é desconhecida. Acredita-se que haja uma predisposição genética que resulta em falha na produção hormonal ou numa ação hormonal deficiente sobre o folículo piloso. Algumas manifestações corroboram a hipótese de que a ação deficiente da produção de hormônios sexuais pode ser responsável pela alopecia X, tais como o crescimento do pelo em cães após a castração ou tratamento com princípios ativos que afetam a produção de hormônios sexuais e, que diminuem os níveis de hormônios.
A maior predisposição que as raças nórdicas apresentam para a doença, a manifestação clínica relativamente precoce e a análise genealógica dos cães afetados sugerem que a doença tenha caráter hereditário, porém o modo de transmissão hereditária ainda não foi elucidado, já que se observou poucas alterações significativas nos genes dos animais.
SINAIS CLÍNICOS
A doença caracteriza-se pela interrupção do ciclo piloso nos animais acometidos. Normalmente observa-se alopecia progressiva, marcadamente bilateral e simétrica, não inflamatória e com hiperpigmentação da pele.
Após um tempo, a alopecia progride e o pelo dessas regiões cai completamente, surgindo amplas áreas alopécicas. Em alguns pacientes, também se observa queda dos pelos primários do tronco e da cabeça e, extremidades distais dos membros são preservadas, sendo essa uma condição quase que patognomônica da doença. Outro aspeto importante a ser observado é que esses animais são absolutamente saudáveis, sem qualquer alteração sistêmica, porém como o padrão de lesão da doença é similar ao apresentado em animais portadores de doenças endócrinas, deve-se sempre investigar e excluir as endocrinopatias que causam alterações dermatológicas como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e distúrbios gonadais, sendo de exclusão, o diagnóstico da alopecia X.
CONCLUSÃO
A alopecia em cães é um sinal clínico observado com muita frequência na rotina de atendimento clínico dos dermatologistas veterinários, podendo possuir inúmeras causas. A alopecia X é uma dermatopatia que acomete os cães sendo mais comumente observada em raças nórdicas, não inflamatória, não pruriginosa e de etiopatogenia desconhecida sobre a qual ainda não existe estudos suficientes realizados. O médico veterinário deve estar ciente da ocorrência dessa doença, dos seus sinais clínicos e tratamentos descritos na literatura atualmente, para que oriente os tutores desses animais de forma correta.
BIBLIOGRAFIA
ALOPECIA X em cães: revisão. Pubvet, [S. l.], p. 1-8, 20 mar. 2021
