Hidropsia fetal em cadelas

Hidropsia fetal em cadelas

Na prática clínica de pequenos animais, sobretudo na espécie canina, os problemas reprodutivos ocorrem com bastante frequência, estando normalmente associados a distocias. A distocia traduz-se num parto difícil, sendo nestes casos, necessária ajuda médico-veterinária. Pode ter origem materna, fetal ou ambos e estes defeitos podem ser fatais, semifatais ou podem apenas causar alterações estéticas, que são, no entanto, compatíveis com a vida.
A hidropsia é uma das alterações fetais que compromete o nascimento e consequentemente a sobrevivência animal.

Foi realizada uma revisão sistemática que incidiu na problemática da hidropsia em cadelas. Com as informações encontradas, foi realizada uma tabela, onde os estudos foram analisados criteriosamente e submetidos a critérios de inclusão e exclusão, o que permitiu reduzir os dados.

Resultados e discussão
De entre as informações recolhidas, foram encontradas semelhanças entre o desenvolvimento de distocias desencadeadas pela presença de hidropsia, a realização de exame ultrassonográfico para diagnóstico, a intervenção cirúrgica com realização de cesariana
para remoção dos fetos, e a presença de natimortos e/ou morte do neonato, minutos após o nascimento.

A hidropsia foi relatada como uma anormalidade congética caracterizada pela acumulação excessiva de líquidos nos tecidos e cavidades fetais. Esta pode ser classificada em 3 tipos, consoante a localização dos líquidos, podendo ser denominada por ascite, quando existe efusão peritoneal, anasarca, quando existe edema generalizado do tecido subcutâneo, bem como, líquido nas cavidades pleural, pericárdica e peritoneal e, hidrocefalia, que consiste na presença de líquido no sistema ventricular ou entre o encéfalo e a dura-máter. É comum esta patologia ser descrita em determinadas raças braquicefálicas, como por exemplo, Bulldog Inglês e Pug.

A causa da hidropsia ainda não é concreta, porém, pensa-se que esteja relacionada com fatores genéticos, causados por genes autossómicos recessivos e anomalias hipofisárias. Porém, outros estudos sugerem, que esta patologia pode ainda, dever-se a exposição a certos vírus, como o Parvovírus, terapia medicamentosa, como a toma de aspirina ou outras disfunções, como anemia.

A ocorrência de cruzamentos entre animais da mesma família, ou seja, a ocorrência de endogamia, pode originar também, falhas hereditárias.

Considerações finais
A hidropsia fetal é uma patologia na obstetrícia veterinária, visto que geralmente promove obstrução do canal do parto resultando em distocia, e consequentemente comprometendo a vida da ninhada e da cadela gestante. É assim, essencial perceber a predisposição genética de cada raça e o nível de parentesco entre os animais antes de realizar cruzamentos.

Bibliografia
Araújo, R., Sousa, K., Ramos, D., Vasconcelos, M., Neves, T., Brandão, G., Gomes da Silva, C., Dias, F., Neves, C., Cavalcante T. (2023), Hidropsia fetal em cadelas: Revisão. Pubvet, v.17, n.02, a1343, p.1-6, 2023.