Os Suínos e a resposta celular que os protege da COVID-19

Os coronavírus são bem conhecidos por terem capacidade de infetar uma ampla variedade de espécies. Muito recentemente, todo o mundo vivenciou e continua a vivenciar o impacto que as betacoronaviroses podem ter. A pandemia COVID-19 veio realçar a importância de melhorarmos o conhecimento sobre como o SARS-CoV-2 provoca doença e se propaga. Os diferentes estudos até agora realizados demonstraram que os cães, gatos, visons, furões, hamsters, tigres e veados são suscetíveis à infeção por SARS-CoV-2 através de transmissão antroponótica ( de pessoas para animais). Curiosamente, não é conhecida a incidência desta infeção em suínos e os estudos experimentais já realizados não observaram sinais clínicos nem transmissão entre estes animais, mesmo quando são expostos a altas doses virais.
Os investigadores Rahul Nelli e Luis Gimenez-Lirola e restante equipa realizaram uma investigação que veio demonstrar o porquê dos suínos parecerem não ser suscetíveis a este vírus.
“ Quando visualizámos as células ao microscópio havia um fenómeno interessante a ocorrer dentro delas” afirma Nelli. “ O núcleo das células suínas infetadas estava a começar a fragmentar-se, mas o das células não infetadas não”. Esta fragmentação do núcleo é sinal de apoptose. Quando a apoptose se gera no início da infeção limita a replicação viral, uma vez que o vírus só consegue multiplicar-se no interior das células. Desse modo, a doença não evolui. As células humanas também podem sofrer apoptose em resposta à infeção por SARS-CoV-2, mas o estudo descobriu que as células humanas o fazem muito menos frequentemente do que as células porcinas. Estas últimas são cerca de 100 vezes mais propensas a sofrer apoptose do que as humanas, de acordo com este estudo.
As células humanas são mais propensas a sofrer necrose. Durante a necrose, o conteúdo da célula é libertado no espaço extracelular, provocando uma forte resposta imunitária que não é desencadeada aquando da apoptose.
Assim, o desencadear de apoptose das células pode ser a chave para ajudar os suínos a não desenvolverem doença grave e com isso não terem sinais clínicos após exposição a este vírus.
A suposição feita pelos investigadores é que uma resposta de apoptose a larga escala é útil para evitar a doença uma vez que elimina rapidamente as células infetadas sem que haja reação exuberante do sistema imunitário. Sendo ainda algo que requer mais estudos, os mesmos consideram que este mecanismo nos suínos é provavelmente intrínseco e não adquirido.
Deste modo, este estudo surge como uma possível luz para o desenvolvimento de novas terapias para os Humanos. A ideia é desenvolver terapias projetadas para desencadear a apoptose das células humanas, permitindo que pessoas infetadas com coronavírus não desenvolvam sintomatologia grave.
O próximo passo nas investigações desta equipa prendem-se com identificar os genes que são ativados durante o processo infeccioso e compará-los com os de outras espécies animais em que esses genes estão presentes. Deste modo, talvez se consigam recolher mais informações sobre como e porque é que estes animais conseguem ser portadores do vírus sem apresentarem sintomatologia.
Para consultar o estudo mencionado aceda a: AQUI.
Bibliografia
Science Daily [VER MAIS].
