Benefícios do uso da electroestimulação na reabilitação física canina

Benefícios do uso da electroestimulação na reabilitação física canina

A Eletroterapia é uma modalidade da Medicina Física e da Reabilitação que pode ser praticada por Enfermeiros Veterinários. Esta divide-se em Estimulação Elétrica Neuromuscular, que visa prevenir a atrofia muscular e promover o fortalecimento muscular e em Estimulação Elétrica Transcutânea, que promove efeitos analgésicos através da ativação dos portões da dor e da libertação de endorfinas. O alívio da dor está apenas presente quando a corrente está a ser transmitida, permitindo que os pacientes participem mais plenamente no seu programa de reabilitação durante a realização de atividades passivas. A Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea é utilizada em númerosas doenças ortopédicas e neurológicas, sendo que em humanos tem sido utilizada para o tratamento de dores agudas, dores musculoesqueléticas e osteoartrite e principalmente em condições crónicas.

Os efeitos da NMES em animais que não se podem exercitar ativamente são: aumento da mobilidade articular, a diminuição da contração articular, edema, espasmos musculares e da dor, melhor fluxo sanguineo, perceção sensorial, o retardamento da perda do controlo volitivo e a ajuda no retorno e correção de anomalias da marcha. Os estimuladores elétricos neuromusculares recrutam primeiro as fibras do tipo II (contração rápida) e só depois o tipo I (contração lenta), que é o inverso do padrão de recrutamento muscular numa contração voluntária.

A eletroterapia utiliza um electroestimulador para produzir a contração de músculos voluntários. Os elétrodos devem ter dimensão suficiente para estimular o músculo-alvo, sem que haja dispersão da corrente para músculos adjacentes. No início da sessão, é necessário programar no eletroestimulador a intensidade dos estímulos e selecionar a região muscular a ser estimulada. O limite da intensidade é definido a partir do momento em que se sente a contração muscular. Posteriormente, é aplicado um meio condutor como o álcool no sentido contrario ao pelo do animal (no caso, dos elétrodos possuírem pinos capazes de atravessar o pelo) sobre o músculo-alvo do animal. Os elétrodos podem ser aplicados no músculo-alvo sob duas formas: a aplicação local (pontos de gatilho) ou aplicação segmentar (processos muito dolorosos). Os elétrodos não devem entrar em contacto uns com os outros, nem o seu meio de ligação, pois isso resultará no fluxo da corrente diretamente de um eléctrodo para o outro, em vez dos tecidos do paciente.
Idealmente, as sessões devem durar 15 a 20 minutos por musculo-alvo e ser realizadas três a sete vezes por semana.

As sessões de eletroterapia devem ser complementadas com outras modalidades terapêuticas para alcançar melhores resultados.

O uso da eletroterapia é desaconselhado em: cadelas gestantes pelo facto de as contrações musculares poderem induzir partos prematuros; pacientes com pacemakers; cães obesos, visto que a gordura e um mau condutor elétrico; em zonas de sensibilidade reduzida ou irritação; sobre o seio carotídeo e áreas com neoplasia.

Bibliografia
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