Neoplasia Maligna na Região Toracoabdominal

Neoplasia Maligna na Região Toracoabdominal

Remoção da Neoplasia
1. Se possível, com o auxílio de um marcador de pele e uma régua, delimitar as margens de corte em torno da neoplasia, com um mínimo de 2 a 3 cm. Posteriormente, realizar a incisão da pele nas linhas anteriormente delimitadas, incluindo tecidos subcutâneos;
2. Se a neoplasia se tratar de um mastocitoma, deverá ser incluído na disseção, pelo menos, uma fáscia não afetada por esta. Por outro lado, se se tratar de um sarcoma deve-se incluir margens maiores às descritas acima;
3. Colocar uma sutura dorsal ou cranial, incluindo pele, tecido subcutâneo e fáscia, que permita a orientação da zona cirúrgica;
4. Com auxílio de um bisturi, disseca-se e remove-se a neoplasia, associando-se um cauterizador para efetuar a hemóstase e ligação dos vasos sanguíneos da região, para prevenir a disseminação das células tumorais pelo organismo. Enviar uma amostra da neoplasia para exame histopatológico;
5. Substituir luvas, panos de campo e instrumentos cirúrgicos para o processo de encerramento.

Encerramento: Técnica “Bow tie”
O “Bow tie” é uma técnica muito utilizada no encerramento de defeitos que não permitem o encerramento primário por excesso de tensão. É uma técnica de eleição pois há muito menos desperdício de pele viável (dog ears, etc) do que em outras técnicas como a “double S” ou a “combined V”. Se possível, suturar fáscias ou músculos que foram anteriormente incisos com um padrão de sutura descontínuo com pontos simples ou uma sutura contínua com um fio 2-0 ou 3-0 absorvível.
1. Com um bisturi, remover dois triângulos equiláteros de cada lado do defeito circular, com uma altura equivalente ao raio do defeito. Cada triângulo deve estar a 30º em relação ao maior eixo do defeito, considerando que este se encontra paralelo às linhas de tensão;
2. Com o auxílio de uma tesoura de Mayo, realiza-se o desbridamento da pele adjacente aos triângulos e defeito circular;
3. Para redução do espaço morto, resultante do desbridamento da pele, podem ser efetuados pontos simples que fixem a pele ao tecido subcutâneo;
4. Suturar os vértices dos triângulos à extremidades do defeito para permitir a distribuição da tensão. A sutura de todos os vértices resulta na transformação de um defeito circular num defeito mais linear;
5. Com um fio de sutura 3-0 nylon, começar por suturar os vértices dos triângulos com pontos simples, de forma a garantir o encerramento do defeito.
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Bibliografia
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Jack, C. M. & Watson, P. M. (2008). Veterinary Technician’s Daily Reference Guide: Canine and Feline (2nd ed.). Iowa: Blackwell Publishing
Martins, J. (2020) Cirurgia cutânea e reconstrutiva [PowerPoint de apoio à disciplina de Patologia e Clínica Cirúrgica I assistidos por computador, lecionada na Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona].;
Tobias, K. M. (2010). Manual of Small Animal Soft Tissue Surgery (pp. 21-25). Iowa: Blackwell Publishing;